Oferecer

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Viver a vida com generosidade consiste em dar importância ao que verdadeiramente interessa. A grande questão está em ganhar distância para poder distinguir o urgente do essencial. Tudo é importante, mas não da mesma maneira. Vivemos cada dia esta tensão de não nos dividirmos em inúmeras coisas a fazer e não termos oportunidade para encontrarmos o pulsar do nosso tempo.

É bom que nos empenhemos em fazer bem aquilo que é suposto, quanto mais não seja para descargo de consciência. Mas corremos o risco de descarregar de tal modo a nossa consciência que acabamos por não ter consciência do porquê de fazermos as coisas. No fundo, sou eu ou as minhas acções.

Ser o que faço, estar no que faço é uma autenticidade ganha à custa de estar atento ao que faço do meu dia. Falta-nos generosidade para encarar cada dia como possibilidade de simplesmente ser. Fazemo-nos autênticos em tudo, marcamos algo por oferecer o que temos de melhor. Sobretudo nas pequenas coisas.

Passos em volta

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Hoje acordei com esta música. E encontrei este vídeo que a acompanha. A liberdade é um voo de confiança e que torna o mundo imensamente grande e bonito. Somos capazes de coisas tão eternas... leveza e beleza.

Bom domingo! =)


Bondade

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Confesso que nos últimos tempos, ou melhor, já nos últimos anos, a palavra bondade me toca especialmente. Tem um toque simplicidade e verdade. Uma pessoa boa é assim, sem fazer muito esforço. E é tão bonito conhecer e encontrar pessoas assim, é um desafio a nós mesmos!

A bondade tem duas faces: a paz e a generosidade. Parece que a realização de uma pessoa boa passa por fazer bem aos outros, fazê-los felizes, e não poupa esforços para sair de si. Mais que isso, não calcula gestos. E essa pessoa transmite paz, está bem, faz bem.

A bondade é um dom, mas que se pode desenvolver a partir daquilo que achamos ser importante para nós e para o mundo. Estar divididos, ser complicados, não é um caminho que ajude. O que queremos verdadeiramente, conseguimos alcançá-lo. É tão bom sentir essa bondade! :) As pessoas são bonitas, muito!


Viagem de Outono

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Fotografia de Teresa Lamas Serra (e saudades destas paisagens)

 Quando hoje saí de casa, encontrei um daqueles dias de outono, com um sol e calor algo raros nesta época do ano. As cores das casas, das árvores e da luz. Roma tem as cores do outono. Sem querer, fui-me deixando levar por pensamentos que desaceleravam e...

Dei-me conta que não existem muitas palavras que possam exprimir a importância que temos no conjunto de tudo o que existe. Como se os nossos pés fossem desenhando linhas vistas desde o céu. Fazemos caminhos confusos e raramente seguimos exactamente por onde uma vez tínhamos viajado. Cada movimento nosso é carregado de uma surpresa que vai sem retorno.

Temos medo do definitivo, apesar de jurarmos amor vezes sem conta. Porque sabemos do que somos feitos, de como não somos nós diante de nós mesmos. Custa-nos deixar cair mentiras e ficar despidos na mais pura verdade. Assim expostos, não nos defendemos, nem temos para onde fugir. Amamos e odiamos as mesmas coisas, queremos perder e ao mesmo tempo agarramo-nos com todas as forças que temos. Como se perder fosse o fim da própria vida.

Porque é que o outono é assim tão fascinante? Quererá a natureza despedir-se no seu maior esplendor, vestir-se de ouro e luz de diamantes só para anunciar um regresso depois do frio? E assim vestimo-nos com a mesma cor do fim, e deixamo-nos andar sem sair do mesmo sítio?

A esperança não desilude. Tal como o amor move montanhas, apaga noites e destrói distâncias. Acabamos sempre, quando assim o quisermos, por dizer amor em gestos concretos. Se somos Beleza de Outono, é porque seremos Vida de Primavera.

Vocação de Irmão Jesuíta

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(sugestão de Princesa)




Este tema é mais específico, para falar de um aspecto da vocação dos jesuítas, talvez não tão conhecido, que é a vocação de Irmão. O mais próprio seria que fosse um irmão a poder explicar melhor em que consiste essa vocação, mas falarei daquilo que sei e da experiência que tenho de contacto com tantos companheiros irmãos.

Ser irmão não é, de modo nenhum, uma semi-vocação. É vocação no sentido mais pleno da palavra, uma vez que corresponde à consagração de uma pessoa a Deus e ao serviço na Igreja, através dos votos religiosos de pobreza, castidade e obediência.

A Companhia de Jesus nasceu com o grupo de primeiros companheiros, reunidos por Santo Inácio de Loiola, e estes, desde o início, tiveram muito presente que o seu modo particular de servir a Igreja e consagrar-se a Cristo seria através do ministério sacerdotal. De facto, quando a Companhia é fundada, todos tinham já sido ordenados. Porém, logo nos primeiros anos, começaram a pedir para entrar na Companhia de Jesus, homens que queriam viver a mesma missão e o mesmo carisma, mas não viam que a vocação tivesse que ser necessariamente ligada ao ministério sacerdotal. Daí que começaram a existir jesuítas que vivem plenamente a sua vocação jesuítica sem serem ordenados sacerdotes.

É certo que, durante muitos anos, os irmãos tinham como parte da sua missão ajudar os sacerdotes a que pudessem desenvolver bem a sua missão, tratando de coisas mais práticas. Por isso, os serviços de casa (cozinha, roupa, etc) eram normalmente confiados aos irmãos. Mesmo que, ao longo da história, não faltassem irmãos que se dedicaram ao acompanhamento espiritual, às missões, a trabalhos relacionados com o ensino ou a arte, etc, a imagem que foi ficando é que seriam uma espécie de vocação para coisas práticas, sem ser necessária muita preparação académica. Com o passar do tempo e, mais recentemente, isso já vai sendo ultrapassado. Quem agora entra na Companhia como irmão, participa da mesma missão de um padre, sem o exercício do ministério sacerdotal, mas com a formação necessária aos diversos apostolados a que pode ser enviado: pastoral, exercícios espirituais, economia, gestão, área da saúde, ciência, arte, ensino, etc...

Com tudo isto, há dois aspectos fundamentais a ter em conta:

- Que um irmão jesuíta é chamado, tal como um sacerdote jesuíta, a viver a mesma consagração a Deus. Ambos são religiosos. É mais fácil associar um religioso ao ministério de sacerdote, pois visivelmente faz coisas que outros não podem fazer. Mas a vocação de irmão consiste num serviço, neste sentido, mais "original" e "radical", uma vez que é chamado a viver, como leigo consagrado, o testemunho da vocação religiosa, que num padre é mais evidente.

- A Companhia sempre se identificou como um Corpo para a missão, no qual convivem unidade e diversidade. Uma mesma vocação a Deus e ao carisma inaciano, mas segundo modos diversos de a viver. Esta diversidade na unidade, não só a nível de vocação religiosa, mas também a nível de culturas, idades, mentalidades, carismas pessoais, faz parte da identidade do ser jesuíta.

Por fim, da minha experiência pessoal, confesso que a maioria dos irmãos que conheci e conheço pertencem a um tempo em que estes se dedicavam a tarefas mais práticas. Com os irmãos mais novos não se passa isso, agora existem programas de formação muito aplicados aos casos concretos que existem. Mas o que sempre me tocou é o seu testemunho de vida, que me ensinaram tanto na minha formação e agora, como padre, me continuam a desafiar. Homens de Deus, que no silêncio do seu trabalho, da sua generosidade, manifestam sempre um amor enorme a Deus e às pessoas. São capazes de relações humanas de uma simplicidade e profundidade que sempre admirei muito. São para mim verdadeiros exemplos e confirmam a minha vocação no que tem de mais fundamental.

Motivados pela esperança

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Impressiona-me cada vez mais o facto de a Vida ser um desafio constante a superarmo-nos a nós mesmos e a encontrar em pequenas coisas a força para fazer um caminho autêntico baseado na própria verdade. Tenho a certeza que o ser amado é o motivo principal que nos leva a querer sempre ser mais.

Ser mais consiste em corresponder a um dom. Não existe reconciliação ou passagem do erro para a verdade sem antes termos feito a experiência de um dom que nos supera totalmente. Este dom percebe-se em momentos privilegiados da Vida, em que o tempo teve a ousadia de nos fazer levantar das coisas comuns em direcção a alturas que não nos sabíamos capazes de atingir.

Estas alturas são toques de eternidade em cada momento do presente. Transformam o tempo em qualquer coisa além do tempo, e transformam o espaço em qualquer coisa que vai além do espaço, uma paisagem de sonhos e memórias que dizem quem somos e para quê existimos. Acordar cada dia é um compromisso com o limite e o andar além dele, é a esperança que se pode concretizar, o existir em amor, na simplicidade e no acolhimento.

Além do desconhecido

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O horizonte fascina-me. Não há nenhum lugar que mais me impressione interiormente que a planície. É um lugar ao mesmo tempo desértico e completo, com uma energia pacífica que consola e faz viajar além do que se vê. A montanha traz curiosidade, faz perguntar o que estará depois dela. A planície, pelo contrário mostra o conhecido, mas é um horizonte imenso que se vê, mas não acaba.

O caminho por entre a planície é uma metáfora de uma vida que sempre procurou alargar os próprios horizontes. Por entre poucas novidades, mas na confiança de que cada passo acrescenta um olhar novo ao que se conhece. E é tão importante ver quanto caminhar, são pequenas certezas construídas e nunca acabadas.

Não ser perfeito desgasta quem se arrasta incoerentemente por um  caminho que é obrigatório fazer. Aquilo que conhecemos não é suficiente para ficarmos instalados sem querer saber coisas novas. Um excesso de conhecimento é uma fantasia, fala apenas da parte mais pequena da vida. É o desconhecido além do horizonte que motiva o caminho livre e desprendido. Se formos capazes de alguma perfeição, então o grande sinal está na vontade com que ultrapassamos os próprios limites. E acredito que nisto somos perfeitos.

 

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